Programação do Centro de Dança do DF em 2018 se encerra com 9 mil horas de atividades Karina Zambrana/Coletivo Conversa

Programação do Centro de Dança do DF em 2018 se encerra com 9 mil horas de atividades

Publicado em 18 de dezembro de 2018

Reaberto em fevereiro, o Centro de Dança do Distrito Federal, equipamento gerido pela Secretaria de Estado da Cultura do DF, manteve uma potente programação durante todo o ano de 2018. Durante 10 meses, ações de caráter de formação, qualificação, processos criativos, inovação, acesso à produção e intercâmbios artísticos tiveram participação ativa da comunidade e presença de cerca de 70 agentes convidados de Brasília e vindos de diferentes partes do Brasil e também do exterior. A lista de atividades se conclui com números grandiosos: um seminário de abertura, dez oficinas, sete aulas continuadas, seis novas criações resultantes de processos criativos, cinco residências artísticas, onze mostras artísticas, cinco mostras de videodança, cinco espetáculos, uma Rodada de Negócios, lançamentos de cinco livros, sete entrevistas públicas chamadas de “Tête-à-Tête”, cinco séries de mentorias e três exposições. Para completar, 116 proposições da sociedade civil foram selecionadas por meio de convocatória pública de demanda espontânea e mobilizaram outras centenas de cidadãos de Brasília. No total, esta soma de 187 atividades representou 9 mil horas de ocupação executada.

Desde a cerimônia que reabriu o espaço totalmente reformado, no dia 28 de fevereiro, a gestão da programação foi conduzida pela Secretaria da Cultura em parceria com a organização social Conexões Criativas, selecionada por meio de edital realizado em 2017. A colaboração, com orçamento total de R$ 600 mil, foi baseada na Lei Federal 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), integrada ao programa “Lugar de Cultura”, de valorização e preservação do patrimônio da cidade, e alinhada à Política de Estímulo e Valorização da Dança do DF.

Tudo começou com o “Seminário Abre Alas”, realizado de 1º a 3 de março, com mesas-redondas, lançamentos de três livros, mostra de videodança e a instalação coreográfica “Biblioteca de Dança”, reunindo em três dias um total de 26 artistas convidados do DF e de outras cidades brasileiras. A proposta buscou introduzir os eixos temáticos da programação do ano e reativar a movimentação da classe em torno do Centro.

Em abril, iniciando o pensamento curatorial de “Dança e Memória”, que orientou a primeira fase, a companhia paulistana Sansacroma, interessada em poéticas e políticas do corpo negro, ofereceu uma oficina e exibiu uma mostra de videodança de sua autoria. Gal Martins, diretora do grupo, também participou da ação “Tête-à-Tête” e lançou o livro “A dança da indignação”.

Em maio, numa parceria com a X Jornada de Dança da Bahia, passou pelo Centro a oficina “A Arte de Isadora Duncan – Formação Itinerante de Professores de Dança”, ministrada por Fátima Suarez (BA), dançarina e educadora em dança há quase 30 anos. Fátima também foi protagonista de um “Tête-à-Tête” e apresentou o espetáculo “A Arte de Isadora Duncan” junto com seu grupo, o Contemporânea Ensemble.

Também em maio, o Centro de Dança recebeu uma Rodada de Negócios, com curadores nacionais convidados para se encontrarem com artistas e grupos do DF interessados em apresentar suas obras a festivais do país. Estiveram presentes o Festival Panorama (RJ), representado por sua diretora geral, Nayse López; o IC Encontro de Artes (BA), com o curador Neto Machado; e a Jornada de Dança da Bahia, com a diretora Fátima Suarez. Aproveitando a presença da profissional responsável por conduzir o maior festival de dança do país e um dos maiores da América Latina, Nayse López ainda ministrou uma Oficina de Gestão e prestou mentorias práticas individualizadas.

Já em junho, a residência artística “Corpo presente” foi conduzida pela bailarina Denise Stutz (MG/RJ), uma das fundadoras do Grupo Corpo, com mais de 40 anos de carreira. Ao final, uma mostra de processo foi encenada. Para encerrar, Denise apresentou o seu espetáculo “3 Solos em 1 Tempo” e participou de mais uma sessão do “Tête-à-Tête”. No mesmo mês, o artista e pesquisador Rafael Guarato (MG/GO) promoveu uma nova Oficina de Gestão e compartilhou conhecimentos em outra série de mentorias, e Rousejanny Ferreira (DF) lançou o livro “Balé sobre outros eixos: traçados de William Forsythe para a criação das Tecnologias de Improvisação”.

Durante todo o primeiro semestre, a exposição “A história que se dança” ficou aberta ao público, exibindo cerca de 30 fotos de artistas e grupos que construíram a cena da dança do DF, com curadoria de Marconi Valadares e Yara de Cunto (DF).

Em julho, marcando o início da linha curatorial “Dança e Diversidade”, uma nova exposição foi aberta: “Corpo, Diversidade e Cidade”, reunindo obras de graffiti de três artistas/coletivos do DF selecionados em convocatória pública – Carli Ayô, Daniel Sinimbú (DHOS) e Didi Colado (Crew Risofloras) – ao lado da artista convidada Talitha Andrade, da Bahia, assinando trabalhos pintados nas paredes internas do espaço para evidenciar as várias maneiras de configurar coreografias sociais. Todos eles participaram de um Tête-à-Tête.

Chegando a agosto, a residência artística “Performance Ouvidoria” foi realizada em coprodução com o Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília 2018. Artistas do corpo e da cena criaram e apresentaram uma performance que gerou ambientes de escuta nos espaços públicos da cidade. No mesmo mês, em articulação com o festival IC Encontro de Artes, outra residência artística se voltou à pesquisa e criação de trabalhos solísticos de performance, com a artista croata-espanhola Semolina Tomic, resultando em mais uma mostra de resultados.

Em setembro, mais uma edição da Oficina de Gestão e série de mentorias tiveram foco na comunicação de projetos artístico-culturais, com a comunicóloga Paula Berbert (BA).

Setembro também foi mês para uma parceria com a 5ª edição da Mostra de Dança XYZ, encerrando o segundo módulo da programação em 2018. Nesta colaboração, uma lista de ações se firmou: um novo debate “Tête-à-Tête”, tematizando “Corpo nu: arte, diversidade e cruzadas morais”, com Isaura Tupiniquim e Leonardo França; duas oficinas: “Oficina de Honestidade Artística”, com Jorge Alencar e Neto Machado, e “Oficina Dança Estilhaçada”, com Leonardo França, todos coreógrafos de destaque da cena contemporânea da Bahia. Ainda houve a residência artística “RaSHa SHow”, com o grupo homônimo vindo do Piauí, para uma vivência coletiva e formação do elenco da performance “RASHA BATALHA”, apresentada dentro do festival: um racha entre BBoys e drag queens, ampliando os sentidos de uma manifestação presente nas batalhas de breaking para combater o controle sobre corpos, o preconceito e a hipocrisia. Para completar, a mostra de videodanças “Cine Corpo” foi exibida.

O terceiro e último módulo, “Dança e Infância”, se iniciou entre outubro e novembro com a presença do grupo Psoas e Psoinhas, do DF, que realizou uma residência em três módulos: “Afeto em movimento”, para bebês de 0 a 3 anos acompanhados de mães, pais ou outros responsáveis, “Pausa” e “Memórias de Útero”, para artistas, educadores e pais. O Psoas e Psoinhas também protagonizou atividades abertas ao público: as integrantes-facilitadoras Katiane Negrão e Susana Prado participaram de um “Tête-à-Tête” e comandaram JAMs entre adultos, crianças e bebês. Em paralelo, houve uma Mostra de Videodança em torno da infância.

Ainda em novembro, o Centro de Dança promoveu mais uma série de formação e qualificação para o campo da gestão, pautando a elaboração de projetos, sob orientação da produtora cultural Juana Miranda (DF), que também prestou mentorias em atendimentos individuais.

Já em dezembro, a coreógrafa e performer Elisabete Finger (PR/SP) ministrou a oficina “Práticas de encantamento da matéria”, reunindo repertório de exercícios, princípios coreográficos e estratégias de ação. Elisabete também participou do último “Tête-à-Tête”.

Ao final das atividades, no dia 8 de dezembro, foi realizado um encontro de avaliação pública desta gestão. Na mesma data, a “Festa do Amor” foi o marco de encerramento, celebrando o corpo como agente principal de um mundo e de uma dança múltiplos, diversos, complexos e propositivos. O evento contou com a abertura de uma nova exposição no local, “Lambe-dança: uma retrospectiva da Conexões Criativas no Centro de Dança”, com registros das variadas atividades realizadas ao longo do ano, feitos pela fotógrafa Karina Zambrana. Também teve exibição da mostra de videodança “Discoreografia – Música, Dança e Blá, Blá, Blá”, de Elisabete Finger, além da peça “Bola de Fogo”, do artista baiano Fábio Osório Monteiro, e da performance inédita “Apocalypso em pisca pisca”, do coletivo artístico do “Bloco do Amor”, bloco de carnaval do DF.

As últimas ações foram uma oficina e uma série de mentorias de captação de recursos, sob orientação de Rejane Pieratti (DF).

AÇÕES DA SOCIEDADE: PROCESSOS CRIATIVOS, AULAS CONTINUADAS E DEMANDAS ESPONTÂNEAS – Além de todas as atividades assinadas pela curadoria da programação, outras muitas foram protagonizadas pela comunidade da dança do Distrito Federal, incentivada a ocupar o espaço, em suas diversas salas e potencialidades, por meio de convocatórias públicas.

Três convocatórias de processos criativos em dança selecionaram seis proposições, dentre um total de 42 inscritas, para uso do Centro de Dança como espaço de criação e pesquisa, desenvolvendo processo investigativo em dança, recebendo bolsa de pesquisa e apresentando mostras públicas ao final. Entre maio e junho, com foco em “Dança e Memória”, resultaram as criações “Quitinete”, do grupo Dois Corpos, e “Zona de sonhos”, com direção de Luiza Fiuza e atuação de Lara Ferreira, Fernando Franq e Brunetty Bg. Entre agosto e setembro, no módulo “Dança e Diversidade”, participaram Eduard Kon Zion, num trabalho em grupo em torno da cultura Vogue, e Fabiana Balduína, a BGirl e dançarina FaBGirl, para um trabalho solo que uniu os universos da capoeira e do breaking. Na última etapa, “Dança e Infância”, entre outubro e dezembro, Danilo Andrade criou solo em dança-teatro com foco na atuação lúdica baseada em estruturas de jogo e improvisação, e Gustavo Letruta apresentou, com o grupo Cavalarias das Orquídeas Noturnas, uma experimentação da rua como local genuíno de possibilidades do brincar.

Já a convocatória de aulas continuadas, com 33 inscritos, permitiu a escolha de sete variadas propostas de professores do Distrito Federal para oferta de aulas de dança e práticas corporais regulares, de maio a dezembro de 2018. Nestas turmas, 21 pessoas dentre 155 candidatos inscritos adquiriam bolsas de 50% ou 100%.

Houve ainda a demanda espontânea, convocatória permanente para acolhimento de pedidos diversos da classe da dança, tais como ensaios, oficinas, residências, intercâmbios, lançamentos de livros, mostras e festivais. Entre abril e dezembro, 116 atividades foram realizadas através deste mecanismo, totalizando mais de 6.800 horas de ações propostas e realizadas pela sociedade civil.

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