O que você precisa saber para promover inovação em sua empresa?

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Neste artigo, conheça os princípios da “Estratégia da Inovação Radical”, de Pedro Waengertner, e como estamos aplicando-os em nossa empresa

Quando pensamos em inovação, tendemos a enxergá-la como algo distante da nossa empresa, algo grandioso, altamente disruptivo, quebrador de paradigmas, enfim, que só grandes marcas ou gênios têm acesso. Mas essa visão só contribui para que o tema seja evitado em empresas de pequeno e médio portes. 

No entanto, inovação acontece no dia a dia da empresa. Seja em um novo processo interno de comunicação com a equipe; seja em um novo canal de atendimento oferecido aos clientes. Atenção: você pode inovar na sua empresa com práticas que já foram adotadas por outras. Mas é preciso considerar a legitimidade dela e atender a alguns “requisitos”. 

No livro “A Estratégia da Inovação Radical”, o autor Pedro Waengertner, CEO da Ace, aponta seis princípios que devem ser implementados para que sua empresa comece a inovar. Eu gostei tanto desse livro que peço licença ao Pedro para trazer alguns pontos que mais chamaram minha atenção.

Inovação é design organizacional

O autor coloca que, no design organizacional de uma empresa inovadora, é preciso se atentar para o combo processos-pessoas-estrutura-liderança

Os processos de inovação devem estar sempre em experimentação constante. E é aí que entram as pessoas. Inovação se faz com pessoas. Não esqueça disso. E o processo inovador só acontece com times trabalhando juntos e com uma liderança que acredite na inovação. 

De acordo com Waengertner, esses times precisam ser pequenos, focados em um objetivo específico e ter autonomia para tomada de decisões. Tentamos trilhar este caminho no Conversa com a formação de equipes de profissionais com habilidades multidisciplinares e com autonomia para cada projeto de nossos clientes. 

Um primeiro passo pode ser começar a perguntar para sua equipe: “o que devemos fazer?” e, como gestor, apenas conduzir o time ao objetivo, em vez de já dizer o que deve ser feito. Eu sei, é difícil para muitos líderes de equipe delegar a criação da estratégia quando ela já está traçada em sua cabeça (e sempre é a “melhor opção”, não é?). 

Mas, acredite, ao permitir que sua equipe pense em como resolver determinado problema, você está estimulando a autonomia, o protagonismo e o espaço para novas ideias que podem ser o core do seu negócio no futuro. A solução pode demorar a sair e ser diferente do que você iria propor, mas é o tipo de atitude de liderança que estimula a motivação e a entrega da sua equipe. 

Waengertner coloca que o design organizacional inovador deve atender aos negócios atuais da empresa, aos adjacentes e aos novos negócios. Ou seja: é possível inovar em menor grau em serviços que já trazem receita para empresa, mas também correr paralelamente pensando em negócios que, futuramente, podem “matar” seu negócio atual. 

Porém, para isso dar certo, entra um outro importante princípio da inovação radical.

Invista em uma gestão ágil

O autor destaca sempre a necessidade de times pequenos e autônomos e que a mudança deve ser constante, mas a alta gestão precisa ser a primeira a abraçar o processo inovador. Se a inovação é feita com pessoas, os líderes devem ser aqueles que impulsionam e oferecem o suporte aos seus times. 

Os líderes dos times de inovação precisam garantir que:

  • A metodologia esteja clara para todos os envolvidos;
  • Todo time esteja capacitado para executar suas atividades e entenda o porquê das mudanças;
  • Exista um processo claro para melhoria do método;
  • As pedras no caminho sejam removidas, deixando o time livre para realizar o seu trabalho de forma efetiva;
  • Haja um grande alinhamento entre os líderes dos esquadrões. 

Assim, posto em palavras, parece perfeito e fácil. Sabemos a dificuldade que é liderar uma equipe para o desconhecido. Às vezes nós próprios, como líderes, não queremos mexer no que “está dando certo”, criar novos processos em uma rotina já corrida ou “dar mais gastos” para a empresa. Por outro lado, quando o processo não é bem conduzido, encontramos uma equipe desmotivada, descrente de que suas ideias e seus esforços vão dar em algo. 

Comece com pequenos passos. Adote a simplicidade nos processos a partir de avaliações destes com sua equipe. Priorize o que vai ser “vítima” da inovação em meio ao caos do dia a dia. Separe uma equipe para trabalhar nesse projeto, com autonomia e recurso para criar uma primeira versão do produto, processo, metodologia ou serviço (MVP). 

Pense como um investidor

Opa, falei em gastar dinheiro, né? Não. Falo em investimento. A inovação planejada e consciente pode ser um investimento lucrativo. 

Um dos seis princípios abordados no livro é,  em poucas palavras, enxergar mais oportunidades e menos riscos. Invista em inovação de forma que não prejudique sua receita, mas que possibilite a execução das ideias da equipe. 

Voltando para o Princípio da Gestão Ágil, o adjetivo já fala: agilidade. Foque no que é mais importante, com um time reduzido, alinhado e atento em pensar em inovação  “Ah, mas eu não tenho tantos funcionários para ‘reservar’ alguns para pensar em projetos inovadores”. Entendo. Em pequenas e médias empresas, a equipe já é reduzida para os negócios atuais. Como, então, “se dar a esse luxo”? 

No Conversa, começamos a realizar encontros com nossas equipes para estimular novas ideias: sejam equipes por projetos, por áreas de interesse ou todo mundo. Estamos no começo, mas a receptividade tem sido boa. Não se surpreenda com a capacidade que seu time tem de abraçar coisas novas. Um alerta: esta dinâmica precisa ser uma via de mão dupla. Acreditamos, em nossa empresa, no investimento constante em qualificação da nossa equipe. Estimulamos a busca por novos saberes e reservamos parte dos nossos recursos para custeá-los. 

Trabalhe com parceiros

É importante que a empresa faça um esforço para formar um time de inovação. Um outro princípio que Pedro Waengertner traz como alternativa é trabalhar com parceiros. O Conversa fica em um coworking. Essa escolha não foi aleatória. Além das facilidades que estar em um ambiente como esse traz para a administração da empresa, existe a convivência com outras que podem somar aos seus negócios atuais ou aos futuros. Acreditamos na parceria para crescer junto. 

No início do ano, resolvemos que o Conversa precisava de um reposicionamento. Apesar de sermos uma empresa de Comunicação, buscamos um parceiro para essa jornada. Iniciamos um processo de rebranding com a Look’n Feel que resultou em uma nova forma de aparecer para o mercado, e, o mais importante, de entender o nosso propósito. O resultado não teria sido tão significativo se tivéssemos feito “em casa”. A parceria nos possibilitou inovar, olhando para todos as camadas do nosso negócio: a equipe, os clientes, o mercado, os processos, a nossa marca. 

Conheça a gestão ágil do Spotify.

Mate seu próprio negócio

Um outro ponto abordado no livro que me chamou a atenção é que uma inovação radical pode trazer a morte do seu negócio. Difícil imaginar, não é? Mas o autor traz a morte no sentido de inovar a ponto de substituir seu core por outro, mais condizente com o contexto e com as mudanças da sociedade.

Não há como correr disso nos tempos atuais. Tudo muda o tempo todo e isso inclui os padrões de consumo de produtos, de serviços, de informação. É preciso sempre enxergar além. E é melhor enxergar com o time ao seu lado do que sozinho.

Vou adotar uma frase do Pedro para sempre: “precisamos aprender a desaprender”. Não deixe que um costume vire boa prática em sua empresa.

O livro traz a história da Netflix como exemplo de empresa que matou seu próprio negócio, saindo de uma locadora on-line que distribuía DVDs pelo correio para o maior serviço de streaming on demand do mundo. Conheça neste vídeo.

O cliente no centro

Por último, e não menos importante, o cliente. O livro coloca o cliente como o grande impulsionador da inovação. Eu complemento: o cliente é seu melhor consultor, mas reforço que a equipe precisa estar na segunda camada desse círculo para que você garanta excelência. Um time com entrega e entendimento do que o seu cliente precisa é uma combinação inseparável.

As empresas mais inovadoras do mundo são obcecadas pelos clientes. Veja este depoimento de Jeff Bezos, da Amazon.

Estude seu cliente. Vá para rua e faça pesquisas. Entenda a sua forma de consumo, sua jornada de compra, os valores e as entregas esperados. Avalie periodicamente o seu grau de satisfação. 

E não esqueça: inovar é uma competência adquirida. Vai ter erro, mas vai ter acerto se sua empresa acreditar e persistir. Não existe esperar pelo momento certo para inovar. Como diz Pedro Waengertner, “a única forma de inovar é no ataque”. 

Para saber mais sobre o livro “A Estratégia da Inovação Radical”: https://inovacaoradical.com/

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Kadydja Albuquerque é sócia do Conversa | Estratégias de Comunicação Integrada, especialista em Gestão da Comunicação em Organização e em Novas Tecnologias.