A cor do ano pela Pantone: o que podemos aprender com essa escolha? Reprodução: Pantone

A cor do ano pela Pantone: o que podemos aprender com essa escolha?

João Correia

João Correia Publicado em 13 de dezembro de 2018

No início do mês de dezembro, a empresa norte-americana Pantone divulgou a cor que representará os próximos 12 meses a partir do dia primeiro de janeiro de 2019. O “Living Coral”, especificado como “um tom de coral animador e afirmativo”, promete possibilitar experiências mais autênticas e imersivas, além de simbolizar o inatismo por sentimentos otimistas e a busca pela felicidade em ações praticadas.

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Basicamente, a “Living Coral” é uma cor quente bastante natural por estar associada à diversidade marítima, mas que, ao mesmo tempo, consegue se adequar aos ambientes virtuais. De acordo com Leatrice Eiseman, especialista em Cores e diretora-executiva do Pantone Color Institute, “a cor é uma lente equalizadora em que experienciamos nossas realidades natural e digital e tal sensação é verdadeiramente encontrada no Living Coral”.

A escolha da “Cor do Ano” é uma tradição realizada pela marca desde os anos 2000 e que inspira estudantes e profissionais de diversas áreas, de artistas plásticos, estilistas de moda e designers gráficos a amadores e curiosos. Segundo informações fornecidas pela própria marca, os experts em cores do Pantone Color Institute analisam tendências com a finalidade de encontrar a cor que melhor defina o período cultural que está por vir. Na prática, tais especialistas pesquisam comportamentos do mercado, produções audiovisuais, novas práticas artísticas e até mesmo destinos de viagem requisitados em suas respectivas estações para realizar a escolha anual.

Apesar de iniciada em 2000, o número total de “Cores do Ano” não corresponde ao número de anos que se passaram desde então. Isso porque em 2016, dois tons distintos foram escolhidos devido a seus potenciais quando combinados. O “Rose Quartz”, um tom de rosa puxado para o “pastel” e o “Serenity”, uma das diversas variações do azul, representam juntas “um equilíbrio inerente entre um tom de rosa mais quente e um azul mais frio e tranquilo, refletindo nas sensações de conexão e bem-estar, além de um senso de tranquilidade e ordem calmantes”.

Nesse sentido, escolher uma única cor não é necessariamente um protocolo durante as mais diversas criações no campo da Comunicação Social, uma vez que a própria Pantone já mostrou que combinações geram sentimentos únicos.

Cores selecionadas e seus respectivos anos (Fonte: Pantone).

Existe uma infinidades de cores que podem ser encontradas no buscador da Pantone. No entanto, o número de tons que são conhecidos é melhor delimitado nos estudos da escritora alemã Eva Heller, conhecida por diversas obras incluindo “Psicologia das Cores”. O azul, descrito como a cor preferida da maioria participante de seu estudo por representar “todas as características boas que se afirmam no decorrer do tempo”, é fragmentado em 111 tonalidades distintas, por exemplo.

Em Psicologia das Cores, Heller afirma que os sentimentos transmitidos pelas variedades de tons “não se combinam ao acaso nem são uma questão de gosto individual – são vivências comuns que, desde a infância, foram ficando profundamente enraizadas em nossa linguagem e pensamento”. A autora especifica que a junção de elementos (conceito + cor) formam um acorde cromático, o qual é “composto por cada uma das cores que esteja mais frequentemente associada a um determinado efeito. Os resultados da pesquisa [de Eva Heller] demonstram: as mesmas cores estão sempre associadas a sentimentos e efeitos similares”.

Nesse contexto, a escolha de cores a serem utilizadas nos diversos campos da Comunicação e de outras áreas devem ser escolhidas e utilizadas de acordo com a mensagem que deseja ser apresentada, e não embasadas apenas de acordo com o gosto pessoal de seus criadores. Assim, aprendemos com a Pantone (e também com os acadêmicos da área) que escolher cores trata-se tanto de uma análise de tendências atuais como um estudo mais aprofundado de seus arquétipos históricos.

João Correia é estudante de Comunicação Organizacional na Universidade de Brasília (Com.Org/UnB) e estagiário de Assessoria de Imprensa e Gerenciamento de Mídias no Conversa Coletivo de Comunicação Criativa.

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